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Admitindo-se que alguém além da MEG me siga neste blog é de se crer que devem estar pensando assim:
“Pronto, é carnaval e o cara despirocou, caiu na gandaia e so vai cair na real na quarta feira de cinzas…”
Saibam que minha quarta feira de cinzas começa uma semana antes do carnaval e segue por toda a quaresma até a páscoa, quando me empanturro de chocolates de todas as cores e matizes, sabores e recheios e engordo mais cinco quilos.
Depois, depois eu caio em mim novamente e fico olhando para o passado, quando eu era DJ e pagava outros DJs para fazerem o baile de carnaval para mim, porque eu não suportava a idéia de fazer baile de carnaval…
Gostava mais de fazer som pra galera cantare dançar a 110 BPM por minuto (hoje são mais de 180) e, no fim da noite, tocar uma ou outra que eu considerava “Classe A”.
Hoje, mexendo nos meus alfarrábios, encontrei uma destas.
Kissing a Fool, com George Michael.
Como não tenho nada para dizer, se não o que já está escrito aqui neste link do brasilwiki, deixo vocês com Kissing a fool.
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Dizer que o teu olhar me perturbou, é pouco.
Dizer que o teu olhar me perturbou, é pouco.
Ainda era menina quando todas as tardes depois de saír da escola, percorria a cidade para ter aulas de música,com a flor branca nos cabelos de tranças.
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Com minha cachorrinha, andava pelas ruas ainda empoeirada cidadezinha do interior onde nasci, rodeada de gente conhecida,primos,tios e compadres de meu pai… tinha medo, e esse medo fazia ficar em segredo coisas que ninguém imaginava.
Era uma menina, apenas isso.E sonhava…
Abraçava a caixa com as notinhas musicais como quem abraça um tesouro.Lá havia uma caneta,um caderninho onde eu escrevia minhas anotações e meus sonhos…
Eu via ele sem que ninguém me visse. Ele povoava meus pensamentos nas letras de música que eu criava e observava em silêncio,tudo que eu fazia,era como um amigo invisível.
Nunca me atrevi a dizer um nome,um olá, bastava eu saber que podia ver ele sempre que fechava os olhos e com o tempo fui vendo ele de olho aberto mesmo…
Apesar de menino já tinha esse olhar que ainda hoje me fascina,o olho de mil cores que eu criei.Ora,azul,castanho,mel,verde…sei lá.
O tempo fez com que eu perdesse o medo, mas continuo sem saber no que está a pensar.
Quando chegava na casa da professora,ela abria o piano,tirava a toalhinha de crohê num ritual diário e por consequente para mim era poético.Antes de realizar,eu já sabia de antemão tudo que viria a seguir.
Tenho saudades daquela menina que atravessava a cidade para aprender a tocar, e que murmurava baixinho, vezes sem conta, que queria ser uma boa escritora.
Fechavas os olhos e desejava isso, mais do que tudo.
Um dia consegui ouvir a voz, e descobri o segredo. Não me contive, agarrei a mão com força,uma na outra e a caneta presa entre os dedos entrei no teu olhar e disse que tinha a certeza de que com minhas palavras abraçaria o mundo. Pensei que ia me assustar, mas não, foi a primeira vez que consegui falar que eu amava a música mas não podia tocar. Nesse instante soube que aquilo que estava a dizer seria verdade.
Quando ouço tocar uma música parece que tudo pára e só existe ela. Nesse momento eu volto a ser aquela menina que desejava em segredo ser um grande escritora, e que tocava piano para fazer sorrir o pai.
Voltei a reencontrar muitos anos depois daquelas idas e vinda da casa da professora,com o mesmo sonho em que você vivia para a música e eu vivia para escrevê-la. Não me reconheci, e ainda hoje não te disse quem eu era.
As letras e poesia nunca sairam da ciaxinha de letras,o violão,o piano,até o acordeon sentiram as notas e meu pai disse que sentiram minha falta… Talvez nesse instante ele tenha feito eu me recordar algo que nunca consegui descobrir o que era, e não deixei acontecer.Mas eu cantei…na rua mesmo quando lembrei e dancei,como eu fazia pelas ruas da minha cidadezinha do interior,com a flor branca nos cabelos de tranças.As pessoas à volta acharam graça, e eu não conseguia parar de olhar para você,lá atrás,no passado à procura daquele menino que sempre fez parte do meu mundo, sem o saber.
Teu rosto agora assemelha-se a um pássaro, a música te libertou, mas o mundo te prendeu.
Dizer que o teu olhar me perturbou… é pouco.