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Deus. Deus e seu Anjo chamado Tião

O fato é que meu post de ontem pode ter chocado alguns…

Não! Não estou pensando em suicídio!
Estou pensando, sim, em completar minha tarefa, estar completo e, ai, se Deus quiser, eu poderei dizer:
“Está tudo consumado”.

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E então eu terei o repouso que creio merecer.

Fui criado numa família católica.

Fui covardemente batizado quando tinha um ano de vida.
Ninguém me perguntou se eu queria receber estas sacramentos santos (…)

Com oito anos descobro o Livro dos Espíritos de Allan Kardec.

E ali, no espiritismo, encontrei expressões de Justiça e Amor Divino que me cativaram

Mas eu era um meninote e não tinha como argumentar perante os católicos.

Aí, Deus, em sua Sabedoria disse:

"Agora vá e Sofras; quando voltares, se voltares, estarás apto a falar em Meu Nome".

E eu, obediente, vim e sofri.

Dos doze anos de idade até os quase dezoito eu fui morador de rua em Sampa e, naquela época, o inverno era Inverno mesmo.

Esqueci-me de Deus. Mas sei que Ele nunca esqueceu-se de mim!

Hoje olho a minha trajetória e percebo que, em muitos momentos, não fora a intervenção amigável de um de Seus Emissários e eu teria caído…

Como naquela noite de frio, na Rua Barão de Itapetininga.

Fazia muito frio e, por isso, eu já não dormia há quatro dias.
Não sabia porque sabia que se dormisse morreria, mas sabia que se dormisse, eu morreria.
Então travei uma luta de vida e morte contra o frio, a fome (não consegui nada para comer e estava ficando mentalmente incapaz), medo e desespero até que, na quarta noite, parei próximo a um banco da Barão de Itapetininga. Olhei o Banco, corpo dolorido e pensei:

“Sentar por meia hora não vai me matar”.

Sentei-me, coluna dolorida, em mangas de camisa, vento; novamente eu pensei (em determinadas horas o melhor é não pensar):

“Se eu deitar aqui só um pouquinho, para encostar a cabeça, também não vai ter problema.

Cedi aos meus pensamentos e me deitei.

Estava garoando.

Adormeci imediatamente, estava esgotado, era o meu fim…

Meu corpo queimava, como se milhões de agulhas congeladas me picassem as entranhas!

Senti que estava morrendo e tentei despertar.

Mas não conseguia. Minha consciência estava ativa, mas fora subjugada pelo peso do cansaço, meu pânico era indescritível, porque eu sabia que estava morrendo e  não queria morrer, as agulhas queimavam, eu tremia e, de repente, algo me tocou com rudeza:
1, 2, 3 vezes e eu acordei!

A primeira coisa que vi foi um homem de já uns 50 anos, mostrando-me seu distintivo. Era um tira e o camburão vazio já estava com a porta aberta.

Graças a Deus ele me prendeu, pensei.

Mas ele não me prendeu. Ele me levou ao distrito e me colocou numa sala que era chamada sala do chá. Chá de banco.

Disse-me que não saísse dali que ele voltaria logo.

E voltou mesmo, com um jarro de um litro de café com leite e muitos pães passados na chapa com manteiga.

Come moleque, ele disse.

Ouvir é obedecer, eu disse, frase aprendida em algum filme de gênio da lâmpada no passado…

Comi toso os pães, tomei todo o café com leite e ele me perguntou:

“Tá melhor?”

Sim.

Saiu e voltou em segundos.

Me deu um cobertor e disse.

Descansa ai. Meu plantão acaba as sete, as sete eu te tiro daí.

Aí adormeci de barriga cheia, aquecida e sem medo de morrer.

Sete da manha ele chegou, me deu uma jaqueta e me disse, se alguém tentar te roubar fala que quem te deu foi o Tião, isso vai bastar.

Mas ninguém tentou me tomar a jaqueta e eu pude atravessar os rigores daquele inverno aquecido por uma jaqueta que só Deus e o Tião sabem de onde saiu…
Hoje, passados quase 30 anos desde então, eu ainda me recordo disso, do dia em que Deus me mandou um anjo travestido de tira para me salvar!

O que isso tem a ver com meu transtorno bi polar?

Bem, tudo ou nada, depende do ponto de vista.

Eu só sou um bi polar porque estou vivo. E só estou vivo graças ao Tião, que foi enviado por Deus, Criador dos Céus e da Terra e de tudo que nela habita.

Depois deste inverno eu fiz dezesseis anos, e com dezesseis anos algumas coisas mudaram, e mudaram para melhor.

Mas eu tinha na época, e tenho agora, certeza absoluta que Deus agiu naquele momento, e que agiu em muitos outros, até mesmo quando fez descer sobre mim a tempestade…

Eu só sou quem eu sou, porque atravessei este longo caminho.

Diante de Deus, não tenho queixas e ultimamente aprendi a orar de forma mais simples:

“Obrigado meu Deus pelo dia que O Senhor me deu e tudo o que me foi concedido realizar nele. Agradeço pela esposa que tenho, pela família que eu recuperei, e recuperei quase que sem fazer esforço, e minhas filhas me receberam como se eu nunca tivesse sumido (elas sabem por que eu sumi)…

Enfim, através de danças e contradanças, num ballet interminável eu estou aqui, cheio de problemas de saúde, mas me conduzindo bem…

E tudo, com certeza, da maneira exata que Deus calculou que seria.

Hoje eu ainda pensava que sobrevivi a Janeiro, um mês difícil, e que sobrevivi bem, no azul.

Agora me resta, um dia de cada vez, sobreviver a fevereiro

Eu chego lá.

Sou um otimista incorrigível