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Euforia, por onde for, quero ser seu par
Confesso que não estou deprimido.
Pelo menos hoje e ontem não.
Ontem, a euforia era tanta que eu nem pude postar aqui.
E as carinhosas leitoras assim como o obtuso leitor deverão perguntar a si mesmos porque eu oscilo da miséria a felicidade num passe de mágica.
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Diz, minha psiquiatra que o Transtorno Bi-polar é um desequilíbrio de substância no cérebro.
Digo que a minha euforia e a minha depressão estão intimamente ligados à minha condição financeira.
Vejam:
Fechei o mês de Janeiro no azul! E isso não acontece com facilidade.
Janeiro é mês de IPVA, IPTU, reajustes, meus clientes põem o pé no freio e não me contratam para nada (meu trabalho é freela).
Fica difícil fazer alguma coisa.
Mas, de alguma forma, eu fechei o mês de Janeiro no Azul.
Em Azul assim, capitalizado, porque há o azul e o Azul!
Infelizmente isso me faz gerar textos ruins, sem sentimento, sem a tristeza que tanto me enaltece.
Parece-me, que para ser poeta ou cronista você tem de ser ou estar em condição de miséria espiritual!
Coisa que não deve tardar porque o passado e seus fantasmas já me olham do parapeito da janela, loucos para esvoaçar para dentro de minha casa e voltar a me assombrar.
Foram tantas as mulheres, tantos os amores que, necessariamente, eu hei de sofrer a angústia da nostalgia!
Mas enquanto ela não vem, eu fico aqui alegrinho, olhando para a euforia, que às vezes me faz temerário e digo.
Por onde for, quero ser seu par.
Isso já me parece um elogio à loucura…
Um elogio ao Transtorno Bi-Polar
Sem descompasso no coração
Se eu tivesse de definir o dia numa cor, eu diria: Cinza.
Não apenas porque o Sol vem a furto e a medo, mas, também, porque o meu sol interior parece estar apagado.
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Para quem trabalha por conta própria, por injunções que não vou elucidar aqui, o mês de Janeiro é sempre tenebroso, porque o trabalho falta e a verba também…
Minha única alegria, minha esposa, hoje está trabalhando e a casa parece um deserto de proporções incognoscíveis… Eu saio do micro, eu volto para o micro, eu deito na cama, no chão, no sofá e nada me apraz.
Eu me identifico muito com o Schreck e penso que sou mesmo um Ogro.
Barrigudo e feio eu já sou, só falta ser verde, mas há ogros de muitas cores.
A idéia de me relacionar com pessoas me trás dois sentimentos opostos:
Ansiedade e ojeriza.
Eu preciso conversar, tem com quem falar, mas… mas eu tenho ojeriza do relacionamento.
Relacionamento para mim, apenas o profissional, especialmente nestes dias cinzentos em que a hora não passa.
Alceu Valença escreveu assim:
“A solidão é fera, a solidão devora, e amiga das horas prima irmã do tempo, fazendo nossos relógios caminharem lentos, causando um descompasso em meu coração”.
Muitas vezes me sinto assim, numa solidão tão absoluta que eu penso que posso ouvir os movimentos infinitesimais do Universo!…
Hoje não almoçarei.
Não comerei nada.
Não quero pilotar fogão e muito menos sair de casa (ver pessoas) e ir comer na padaria.
Vou ficando por aqui, na companhia da fera, com meu relógio caminhando lento, mas sem um descompasso em meu coração