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Eu,a menina do tapete;você,o menino do girassol

Tenho raiva dos anos passados por não ter sido teus.Ou por ter sido todos os meus dedicados à você.
Junto da janela olhando o horizonte que agora desponta um sol alaranjado,anunciando que vai amanhecer,meus pé descalço sentindo o piso frio enlaça o outro pé.

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Falo o mais belo amor que já possuí nos meus olhos. Uso o dedo grande, não tão grande como o amor que te tenho, nem tão pequeno como o tamanho da minha lucidez, para desenhar o teu nome na janela embaçada pelas lágrimas que chorei. Há quase-meio mundo que desconheço, quase tanto mais do que meio mundo.

E sofro de ilusões tamanhas no reflexo do que eu me lembro de teus beijos. Ilusões talvez de um saber do mundo que nunca julguei possuir, lembra que eu era uma criança quando te entreguei meu coração?

Eu sou ainda.Diante de todas as lembranças, eu ainda sou a menina que se encantou pelas palavras e foi de encontro ao destino que era te amar a vida inteira.
Só que o tapete, em que antes me debruçava e afogava os sonhos de ser tão grande que coubesse todas as perfeições, ruiu,desfiou. Os retalhos que minha mãe costurou foram arrancando um a um. Virei gente grande aos olhos do mundo.

Um mundo que pra mim só existia além da cerca da fazenda,até onde você vivia. E eu detestava essa distância,e muitas vezes eu quis voar e romper ela com asas que me levasse para seus braços,como agora,eu também queria poder voar e me acalentar nos seus braços em silêncio. Eu te amava tanto.E detestava os morangos que meu pai oferecia dizendo ter sabor especial. Mas talvez não fosse morangos aquilo que meu pai plantava,e que tinha o mesmo gosto do batom que minha irmã usava, talvez fosse só eu a detestar-me para detestar o mundo que eu antes tanto quis. Contudo, e com nada, eu sempre soube que nunca passaria de uma menina com um tapete,onde deitada eu lia as cartas e ainda nem sonhava com girassóis.

Antes tinha muito boa memória.

Agora não sei em que dia me tornei a menina com um tapete e você o menino do girassol. O mundo é muito mais pequeno e muito menos interessante. Cultivei-o no meu quintal como as violetas roxas da minha vizinha. As violetas nunca precisaram que falasse com elas.Já os girassóis querem poesias…e o perfume que exalam cheiram a mel e eu me lembro do beijo roubado,quase mendigado,no carro,e quando desci em direção à minha casa,parecia que a rua estava rodeada de girassóis.Era noite.Mas a rua brilhava e eu ouvia melodias dos anjos.

Era meu coração que cantava por eu ter beijado sua boca e nem era sonho e o coração sabia que não era sonho.Que era seu perfume que minhas mãos exalava.E eu ouvi sua voz, no ouvido pedindo que eu fosse,porque você tinha medo de dizer sim e de nunca mais sair de meus braços. Eu suplicava por uma voz semelhante. Queria sussurrar-te, só porque o mundo é maior quando sussurramos, que te quero.

E o mundo tornou-se grande demais que me assustou.

Agora sou a menina escondida do tapete e você o menino do girassol seco. Não mudou quase nada, o mundo quase não muda – encolhe e aumenta, como a roupa. Mas quase nada mudou.

Porque quando aumenta eu sou grande para você e quando encolhe você apanha de mim,pelo menos em palavras. Colocas-me na tua mão e não há um só momento em que eu sinta a minha alma maior. Porque eu sou a menina do tapete, o teu girassol seco na jarra, o teu suspiro de olhos de arco-íris.E meu coração amando você,da janela olhando o horizonte onde o sol desponta alaranjado e já amanheceu…